No contexto do ciclo Diálogos Educadores para a Ação, as Cidades Educadoras da América Latina seguem compartilhando experiências que reafirmam o valor da educação como motor de transformação social. Neste encontro, realizado em 30 de abril, representantes de Rosario, Passo Fundo e Playa del Carmen trocaram estratégias voltadas à democratização do acesso à leitura, entendida não apenas como uma habilidade, mas como uma prática fundamental para o exercício pleno da cidadania.

O diálogo teve início com as palavras da diretora da Delegação para a América Latina da AICE, Laura Alfonso, que destacou o papel fundamental da promoção da leitura em nossa região no combate às desigualdades. “Quando falamos em promoção da leitura, não estamos nos referindo apenas ao uso dos livros, mas à construção da cidadania. Retomando as palavras de Paulo Freire, ler não é apenas decifrar palavras, mas ler o mundo e, nesse ato, compreendê-lo, questioná-lo e transformá-lo”, afirmou a diretora.

Em seguida, a moderadora María Belén Campero — doutora em Filosofia, especialista em Infância, Educação e Pedagogia, pesquisadora do CONICET, poeta, gestora cultural e coordenadora de espaços de leitura e pesquisa — apresentou o encontro e refletiu sobre o papel da leitura na construção das Cidades Educadoras: “Considero que garantir e democratizar o acesso aos livros e às experiências de leitura constitui um objetivo educativo e social fundamental para as Cidades Educadoras. Abrir as portas da cultura e sustentar espaços de encontro faz parte da construção de comunidades”.
A partir daí, foram apresentadas as experiências de Vanessa Hickmann, coordenadora do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da Biblioteca Municipal Arno Viuniski, da Prefeitura de Passo Fundo; Lucas de la Torre, subsecretário de Fortalecimento Institucional e Sociocultural da Prefeitura de Rosario; e Rafael Macías, coordenador-geral de Bibliotecas Públicas da Prefeitura de Playa del Carmen.
Em Rosario, o projeto Hojas de Ciudad propõe uma experiência de mediação de leitura com crianças em contextos de vulnerabilidade social, articulando leitura, escrita, ilustração e produção coletiva. Por meio de uma metodologia participativa, meninas e meninos tornam-se autores de seus próprios fanzines, fortalecendo o sentimento de pertencimento e rompendo barreiras simbólicas de acesso à cultura. A proposta expressa claramente o princípio de reconhecer as infâncias como protagonistas ativos, capazes de criar, expressar-se e transformar seu entorno.
Por sua vez, Passo Fundo, reconhecida por sua tradição literária, impulsiona o Programa de Incentivo à Leitura BORALÊ com seu inovador Passaporte de Leitura. A iniciativa combina o acesso material ao livro — por meio de vale-livros para aquisição — com estratégias lúdicas e simbólicas que transformam a leitura em uma experiência significativa. A incorporação do Passaporte de Leitura amplia também a participação das famílias, consolidando a leitura como prática cotidiana e comunitária, em consonância com o princípio da corresponsabilidade educativa.
Em Playa del Carmen, o foco está na revitalização das bibliotecas públicas como espaços de encontro, aprendizagem e convivência. Por meio de visitas guiadas, atividades culturais e da incorporação de centros digitais, busca-se ampliar o acesso, reduzir desigualdades e ressignificar esses espaços como territórios vivos. A biblioteca deixa de ser apenas um lugar de estudo para tornar-se um espaço de inclusão, criatividade e participação.

As experiências compartilhadas evidenciam que a leitura ultrapassa o âmbito escolar e se inscreve na vida cotidiana dos territórios. Ler possibilita o desenvolvimento do pensamento crítico, fortalece identidades e amplia horizontes de possibilidades. É, ao mesmo tempo, um ato cultural, político e profundamente humano.
Nesse sentido, promover a leitura é também uma forma de cuidado: implica criar condições para o encontro, o diálogo e o exercício do direito de imaginar. Cada livro compartilhado, cada história narrada e cada espaço criado para a leitura coletiva contribuem para construir cidades mais justas, inclusivas e democráticas.

Assim, as Cidades Educadoras da América Latina continuam demonstrando que garantir o direito à palavra é também garantir o direito à cidade. Porque onde há leitura, há comunidade, participação e futuro.
Você pode reviver aqui todo o Diálogo para a Ação “Cidades que leem: experiências de promoção da leitura” e conhecer as experiências completas em nosso Banco de Experiências.
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