No contexto do Dia internacional da mulher, durante o mês de março em nosso Banco de Experiências destacamos iniciativas impulsionadas por governos locais que desenvolvem políticas orientadas à igualdade substantiva, a participação ativa das mulheres na vida pública, a erradicação da violência e de todas as formas de discriminação. Uma de elas é “Bordando Resistência: Bordadeiras de Alto Alegre”, da cidade de Horizonte, Brasil. O projeto nasce de um coletivo de mulheres quilombolas (afro-brasileiras) bordadeiras de Alto Alegre que usam a arte como uma ferramenta de empoderamento, inclusão e autonomia.
A maioria dos habitantes da comunidade quilombola de Alto Alegre é composta por camponeses que não têm meios de produção e frequentemente trabalham para os proprietários de terras. Nesse contexto de exploração do trabalho e invisibilidade social, as mulheres se tornam vítimas em potencial de várias formas de violência. Por isso, a través de “Bordando Resistência: Bordadeiras de Alto Alegre”, pretende-se promover espaços de diálogo coletivo com foco no reconhecimento da cultura e identidade ancestrais, reforçar a autonomia de gênero e defender os direitos das mulheres quilombolas.

A iniciativa baseia-se em oficinas de bordado, rodas de conversa, conferências, fóruns e outras formas de escuta e participação popular, tendo o artesanato, especialmente o bordado, como pano de fundo para falar sobre cultura, pertencimento, raízes negras, empoderamento das mulheres e sua participação nos espaços sociais e políticos, além de outras questões que atravessam o cotidiano das mulheres dessa comunidade. As atividades que realizam incluem cursos de bordado artesanal, elaboração de produtos artesanais que possibilitem a inclusão laboral e a obtenção de renda a partir do bordado, e organização de oficinas de diálogo interativo para analisar e refletir sobre as discriminações racistas, fortalecendo a cultura de defesa dos direitos das mulheres e da população afrodescendente.
O projeto é dividido em duas etapas. Durante a primeira se forma um grupo intergeracional de mulheres, se faz um curso de bordado criativo e são realizados encontros quinzenais na comunidade. Na segunda etapa, já se começam a realizar os bordados e lhes são ministradas oficinas empresariais centradas na produção e geração de renda.

A Prefeitura de Horizonte é quem desenvolve o apoio logístico e operacional, além da inserção gradual das atividades de artesanato e bordado em instituições governamentais, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e as escolas, em um contexto de valorização da identidade feminina negra. Por outro lado, a Associação Comunitária de Alto Alegre presta apoio operacional e de mobilização.

Em suma, 'Bordando Resistência' encarna os princípios fundamentais da Carta das Cidades Educadoras, ao transformar o espaço público e comunitário num cenário de aprendizagem permanente e coesão social. Através do bordado, Horizonte não apenas preserva uma técnica ancestral, mas constrói uma cidadania ativa e empoderada, demonstrando que uma cidade educadora é aquela que reconhece suas raízes para tecer um futuro mais justo, inclusivo e democrático para todas.
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